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Uma das vítimas relata prejuízo de R$ 3.800 após ter sua chave clonada. A Polícia Civil investiga o caso como estelionato eletrônico

 

Foto: Shutterstock

 

O método de transferência bancária Pix passou a ser um aliado dos criminosos, principalmente em crimes de estelionatato e extorsão. No Ceará, nas últimas semanas, uma médica chegou a ser alvo de sequestro relâmpago e só foi liberada após pagamento instantâneo por meio da ferramenta. Outros crimes como clonagem de chave e uso de dados pessoais para fraude estão sob investigação da Polícia Civil do Estado.

“É como se fosse um banco 24 horas no seu bolso”, resume o delegado adjunto da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), Carlos Teófilo, se referindo à preferência atual dos criminosos em praticar atos que envolvam pagamento por Pix. Conforme o investigador, os mesmos crimes antes aplicados, que finalizavam em uma transferência por TED ou DOC, agora têm como característica a transferência imediata com uso da ferramenta.

No último dia 25 de setembro, o personal e empresário Rodrigo Fisch foi vítima de um dos golpes. Rodrigo conta ter tido prejuízo de R$ 3.800 após um fornecedor seu depositar o valor em outra conta, com as mesmas características que a dele. Neste caso, o empresário alega que teve a sua chave eletrônica clonada.

“Quando o fornecedor enviou o comprovante do pagamento, vi que era o meu CNPJ, mas outra instituição bancária. Olhei na minha conta e não tinha entrado. Fiz a denúncia e pedi para congelar a conta. Eu ainda entrei em contato a tempo antes de sacarem o dinheiro, mas fui informado que como não estava em horário comercial, naquele momento não poderiam fazer nada. Agora vou entrar com um processo”, conta o empresário.

A Delegacia Metropolitana do Eusébio apura o crime considerado como estelionato eletrônico. Segundo a Polícia Civil, por se tratar de um crime de ação pública condicionada à representação, é necessário que a vítima compareça à Delegacia para prestar mais esclarecimentos com intuito de auxiliar na investigação.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que o cadastramento das chaves somente é realizado em ambiente logado no aplicativo ou site da instituição de relacionamento. A Federação orienta ao cliente que nunca deve instalar aplicativos desconhecidos nem acessar links ou sites diferentes para realizar o cadastramento, assim como, os bancos não entram em contato via telefone com os clientes para realizar o cadastro de chaves Pix.

“Como ocorre em outros cadastros realizados em qualquer sistema atualmente, o número de telefone ou e-mail registrado no Pix receberá uma mensagem para confirmação e ativação no momento desse cadastramento. Esse mecanismo visa garantir a segurança dos cadastros efetuados, pois realiza uma dupla checagem em ambiente logado para finalizar o cadastro. Caso encontre algum problema, o cliente deve iniciar junto ao seu banco um procedimento de reivindicação de posse da chave no canal de acesso de seu prestador de serviço de pagamento”, conforme a Febraban.

Para saber onde tem suas chaves Pix cadastradas, o cliente pode usar o sistema Registrato do Banco Central

 

COMPROVANTE ENVIADO

Carlos Teófilo diz ter conhecimento de casos diversos envolvendo Pix como meio de transferência. Um dos modus operandi mais visto na DDF é quando enviam um comprovante falso de depósito para a vítima. “Então a vítima recebe o comprovante, mas quando o banco verifica que não há fundo naquele conta, cancela. A nossa orientação principal é sempre que a pessoa for fazer negociação olhar antes se o dinheiro entrou na conta”, afirma.

O delegado destaca a necessidade de se atentar a quem tem acesso ao seu aparelho celular. Segundo Teófilo, recentemente, em Fortaleza, uma pessoa estava no posto de combustíveis com amigos e teve seu celular furtado, sem que percebesse no primeiro momento. Rapidamente, o criminoso conseguiu acesso ao aplicativo bancário e fez algumas transferências.

A Febraban afima que, por ano, os bancos investem R$ 25,7 bilhões em tecnologia, sendo que deste total, 10% são voltados para a cibersegurança. “Somado a todo aparato, as instituições financeiras também utilizam informações de histórico do cliente e outras de segurança do próprio ecossistema Pix para aprovarem as transações, como mensageria criptografada, autenticação biométrica, tokenização e todos os meios disponíveis para segurança da transação”.

O tempo adicional para análise de um pagamento suspeito é eventualmente usado para confirmação ativa com o cliente ou checagens adicionais de segurança para as transações fora do padrão de transferência do cliente”, disse a Federação por nota.

FEBRABAN

EXTORSÃO

Ainda em setembro, o Diário do Nordeste noticiou o sequestro de uma médica anestesista, no bairro Aldeota. A vítima de 52 anos saía do trabalho quando foi abordada por homens armados e teve a sua liberdade restrita. Ela só foi liberada pelos assaltantes após fazer uma transferência via ‘pix’, de valor desconhecido.

Médicos contactados pela reportagem disseram que casos como este estão acontecendo com frequência na capital cearense e pedem reforços de policiamento ostensivo no entorno das unidades hospitalares. Não há informação sobre prisão de algum suspeito deste crime.

A SSPDS ressalta que a população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As denúncias podem ser feitas para: o número 181, (85) 3101-0181 ou  (85) 3101-1344. Sigilo e anonimato são garantidos.

 

MAIS 5 DICAS DE SEGURANÇA, CONFORME A FEBRABAN:

  1. O cadastro das chaves Pix deve ser feito diretamente nos canais oficiais das instituições financeiras, como o aplicativo bancário, internet banking, agências ou através de contato feito pelo cliente à central de atendimento
  2. O consumidor não deve clicar em links recebidos por e-mails, pelo WhatsApp, redes sociais e por mensagens de SMS, que direcionam o usuário a um suposto cadastro da chave do Pix
  3.  Tentativas de fraudes envolvendo o Pix foram identificadas como ataques de phishing, ou pescaria digital, que usam técnicas de engenharia social e consistem na manipulação do usuário para que ele forneça informações confidenciais, como senhas e números de cartões
  4.  Outro tipo de golpe, menos comum, são as centrais falsas oferecendo o cadastramento de chaves do Pix
  5. E lembre-se: os dados pessoais do cliente jamais são solicitados ativamente pelas instituições financeiras; na dúvida, sempre procure o gerente, uma agência ou a central de atendimento oficial da instituição para obter esclarecimento.

 

 

 

 

Fonte: Diário do Nordeste

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